Justiça leva dois réus a júri popular por triplo homicídio em Dias d’Ávila nesta quarta (19)

Bahia Polícia

A Justiça determinou que Alisson Santiago dos Santos e Estevão Iury de Lima sejam julgados pelo Tribunal do Júri de Dias d’Ávila pelo triplo homicídio que vitimou Henrique Silva Borges, Jailma Barbosa da Silva e Giovanna Vitória Vilela. A sessão está confirmada para esta quarta-feira (19), às 8h30. 

Entre as vítimas estava o bancário Henrique Silva Borges. Um dos réus, Alisson Santiago dos Santos, é policial militar. Segundo a sentença de pronúncia, os dois são acusados de dois homicídios qualificados, pelas mortes de Henrique e Jailma, e de feminicídio pela morte de Giovanna. A Justiça também manteve as qualificadoras apontadas pelo Ministério Público.

O crime aconteceu na madrugada de 7 de março de 2025, em uma residência no Parque Capuami, bairro Imbassaí, em Dias d’Ávila. De acordo com a denúncia, os acusados teriam retornado ao imóvel por volta das 2h10 e atacado as vítimas com disparos de arma de fogo e golpes de arma branca.

Discussão teria motivado o crime

A investigação aponta que o crime teria sido motivado por uma discussão ocorrida durante um encontro na residência. Em entrevista ao portal A Tarde, o delegado Euvaldo Costa, titular da 25ª Delegacia Territorial (DT) de Dias d’Ávila e responsável pela investigação, apresentou detalhes sobre o que teria acontecido antes dos assassinatos. 

Segundo o delegado, Henrique teria feito uma brincadeira com Alisson durante o encontro. O policial militar não teria gostado do tom da provocação e os dois começaram a discutir. Ao mesmo tempo, Estevão Iury e Giovanna, que mantinham um relacionamento, também teriam se desentendido.

Conforme o relato de Euvaldo Costa, os conflitos fizeram os ânimos se exaltarem. Os dois acusados teriam deixado a casa afirmando que iriam dormir, mas, segundo a investigação, seguiram para outro local, pegaram uma motocicleta emprestada e retornaram posteriormente à residência.

“Eles saíram da casa dizendo que iriam dormir. Mas, na verdade, saíram no carro do policial e tomaram uma moto emprestada em um bar”, relatou o delegado ao portal A Tarde. Segundo Costa, Estevão teria retornado pilotando a motocicleta, enquanto Alisson teria voltado no carro. Os dois teriam então entrado novamente na residência, cometido os assassinatos e fugido. 

A investigação também identificou uma quarta mulher que estava na casa e deixou o imóvel durante as discussões. Segundo o delegado, ela teria presenciado parte dos desentendimentos e posteriormente se tornou uma das principais testemunhas do caso. 

GPS ajudou a investigação

Além dos depoimentos, um dos principais elementos considerados pela Justiça foi o rastreamento GPS da motocicleta utilizada pelos acusados. Conforme a sentença, o veículo passou em frente à residência de Alisson, permaneceu próximo ao imóvel e depois seguiu em direção à casa onde estavam as vítimas.

O registro indica que a motocicleta chegou ao local do crime por volta das 2h10 e deixou a residência aproximadamente cinco minutos depois, retornando posteriormente para a casa de Estevão. Para a Justiça, a sequência dos deslocamentos, somada aos depoimentos e a outros elementos, formou indícios de uma ação conjunta entre os dois acusados.

As mensagens de WhatsApp também foram analisadas durante a investigação. Segundo a sentença, Giovanna manteve contato com Estevão pouco antes do crime e, às 2h10, chegou a questioná-lo sobre Alisson. A Justiça considerou que as mensagens ajudaram a demonstrar o clima de tensão existente antes dos assassinatos.

Réus negam participação

Durante o processo, as defesas de Alisson e Estevão negaram a autoria dos crimes e questionaram a existência de provas suficientes. A defesa de Estevão também contestou o uso dos dados de GPS, mas a Justiça considerou válida a utilização do rastreamento, já que a motocicleta pertencia a um terceiro que tinha conhecimento do dispositivo.

Ao analisar o processo, a juíza Ana Queila Loula entendeu que existem elementos suficientes para que os dois acusados sejam submetidos ao julgamento popular. A decisão, porém, não significa que Alisson e Estevão tenham sido condenados. A pronúncia apenas encerra a primeira fase do processo e encaminha o caso para decisão dos jurados.

A Justiça também manteve a prisão preventiva dos dois réus, citando a gravidade dos crimes atribuídos a eles e as circunstâncias descritas no processo. Agora, caberá ao Tribunal do Júri decidir se os acusados são culpados ou inocentes das acusações.

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